O debate econômico tem sido dominado por análises sobre os sinais de forte contração da economia na esteira da Covid-19, os efeitos das diferentes estratégias de contenção do vírus e a urgência de medidas de proteção a setores mais vulneráveis.
Mas a essa lista começam a ser adicionados outros prováveis efeitos colaterais da crise. Pesquisadores de duas universidades americanas e uma alemã escreveram um artigo que debate o impacto da pandemia sobre a equidade entre mulheres e homens no mercado de trabalho.
Eles concluíram que os efeitos imediatos deverão ser negativos para mulheres, ainda que, no longo prazo, mudanças culturais possam favorecer um maior equilíbrio.
O estudo, intitulado "The Impact of Covid-19 on Gender Equality", foi publicado
para discussão pelo NBER (National Bureau of Economic Research), centro de pesquisa responsável por datar recessões nos Estados Unidos.
Os economistas - dois deles da Universidade Northwestern, um da Universidade da Califórnia e outra da Universidade de Mannheim - ressaltam que o fechamento de escolas e creches é um dos principais aspectos desta crise que ampliará as desigualdades de gênero.
O aumento da participação laboral feminina, nas últimas décadas, não eliminou o desequilíbrio na distribuição de tarefas domésticas entre homens e mulheres, o que inclui o cuidado com os filhos.
Segundo os pesquisadores, isso se deve ao fato de os homens estarem em profissões que pagam maiores salários e ainda exercerem um poder de barganha relativamente maior do que o das mulheres.
Normas sociais e culturais também são causas importantes da desigualdade. "Os fatores que levam a esses arranjos continuarão a existir [durante esta crise]", diz um trecho do estudo.
O problema é que isso se dará em um cenário em que 1,5 bilhão de crianças está sem aulas presenciais, segundo a Unesco (braço das Nações Unidas dedicado à educação).
Nos Estados Unidos, as mulheres casadas empregadas em tempo integral são responsáveis por 60% das horas destinadas pela família ao cuidado com os filhos.
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